Muitas pessoas hoje "queixam-se" e criticam Deus pela Sua falta de atenção para connosco. Deus já chamou a nossa atenção na cruz...

Sábado, 30 de Janeiro, 2010

O título é bastante explícito e até pode ser polémico... A constatação que faço é que estamos perante uma real deficiência da perspectiva do que é ser cristão pentecostal. Em termos globais, constatamos isto no panorama geral da Igreja, sendo o reflexo da crise de cada crente a nível individual, quer seja líder ou não – e isto inclui-me a mim. Não sou perita em Teologia, nem em História da Igreja, mas quando comparo o livro de Actos dos Apóstolos à realidade do movimento pentecostal no nosso país, de uma forma geral, verifico que existem disparidades e diferenças. A distorção daquilo que é o cristianismo toca todas as áreas, incluindo esta de tanta importância para nós – os Pentecostais. Vivemos mais do que nunca a igreja do “eu” e não a igreja do “nós”. A experiência pentecostal deveria ser para edificação pessoal, sim, mas sempre tendo em vista a ousadia para sermos testemunhas e também edificar a igreja. Mas o facto é que se foi tornando numa experimentação de sensações passageiras, de calendário marcado, em prol de uma satisfação pessoal. Este ano comemora-se o centenário do reavivamento pentecostal. Muito se tem escrito acerca do assunto e ainda bem! Todos, de todas as idades, de todas as gerações, que nos intitulamos Pentecostais precisamos realmente parar para reflectir na História e agir... se não queremos passar à história. Devemos ter o devido equilíbrio em tudo, obviamente, e não estou aqui a tirar o valor de todas as restantes áreas importantes para que a Igreja seja saudável – como um sólido conhecimento doutrinário, a santificação, a consagração, a evangelização, as missões, a acção social, a estruturação e organização da igreja, entre outras. Mas, sejamos honestos, o intitulado Avivamento da Rua Azusa, nos Estados Unidos, despoletou uma explosão evangelística e missionária sem precedentes que alcançou todos os continentes... hoje somos mais de 500 milhões em todo o planeta. Para termos isto, o Pentecostes antes de tudo - como obediência Àquele que nos chamou (Actos 1:8). A sociedade pós-moderna do imediatismo formatou-nos para um “aqui e agora” arrepiante, mas neste caso não existem formulas mágicas, nem métodos tipo interruptor – basta ligar. Nem podemos viver como saltimbancos em busca de sentimentos alucinantes mas fúteis, como balões de oxigénio que fornecem sobrevivência até ao próximo retiro que leva às lágrimas e ao compromisso descartável, ou ao encontro imediato com um pregador especial que nos diz aquilo que nos faz sentir os maiores do mundo, sem prever condições. Precisamos deixar a apatia espiritual da religiosidade pentecostal "não praticante", alienados pela fartura material insaciável e inatingível, sabedores da letra, adormecidos na berma da estrada enquanto criticamos tudo o que vimos em movimento e nos chama a atenção e a reacção. Voltemos simplesmente à Bíblia... deixemos Deus governar de novo as nossas prioridades individuais e comunitárias e não fiquemos satisfeitos com aquilo que temos alcançado na nossa caminhada espiritual. Rasguemos o nosso coração na presença de Deus diariamente, como servos sedentos do Seu Espírito para ir, falar do Evangelho e ser instrumentos de Deus na realização dos sinais por Ele prometidos. Sejamos consumidos pelo desejo de ser transformados pelo fogo do Espírito, guiados, consolados e exortados por Ele. Menos dependentes dos nossos métodos e mais dependentes do Poder de Deus para tudo. “Neste assunto não há acepção de pessoas ou de igrejas, todos, sem excepção, precisamos de admitir com humildade e contrição que estamos muito aquém da experiência Pentecostal que incendiou o mundo há cem anos atrás. Se não acordarmos para enfrentar este desafio, corremos o risco de, em vez de um Movimento, nos tornarmos, cada vez mais, num monumento.” Pr. Luís Reis Na Obreiro – Janeiro 2007 A Graça de Deus é a mesma e o Seu favor para connosco está disponível tanto para a salvação como, neste caso, para uma vida inundada e transbordante do fogo contagiante o Espírito Santo. Podemos contar com Ele - para saciar a nossa sede espiritual continuamente e para nos tornar incendiários de vidas e gerações... mas a decisão é sempre nossa. O Espírito Santo continua a ser "cavalheiro" quanto às nossas opções. Sejamos Pentecostais Praticantes, não por tradição mas por experiência e vivência – a começar em mim.

Este texto foi retirado do blog:

http://anaramalho.blogspot.com/search/label/religiosidade

publicado por Amadeu M. às 20:37

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